Resenha sobre o filme: Uma onda no ar.
Uma onda no ar é um filme que retrata a criação de uma Rádio Favela em Belo Horizonte , chamada de “a voz livre do morro” pelos organizadores. Com dedicação e esforço eles conseguem transmitir no mesmo horário do programa estatal “A Voz do Brasil”. Com equipamentos, força de vontade e bom humor, a rádio se tornou sucesso dentro da comunidade, mas o amplo alcance dos transmissores começaram a incomodar as autoridades locais. O seu principal idealizador, Jorge, que é morador da favela é perseguido e preso. Dentro da cadeia é questionado por outro preso, como inciou o projeto da Rádio Favela. E começa uma história de luta, superação, preservação a cultura e talentos dentro da comunidade, batalha contra o preconceito e a exclusão social. E os moradores encontram uma poderosa arma contra esses itens, a comunicação.
A rádio também acaba como que “sem querer” a proporcionar vários tipos de ajuda além do esperado pelo os idealizadores, que seria a ajuda a moradores, onde os mesmos pediam para anunciar na rádio, por exemplo, o desaparecimento de algum ente querido. Mas o principal objetivo era dar voz ao povo da comunidade para fora da favela. Reivindicar mais empregos, melhorias na escola, hospitais públicos, menos arma para as forças armadas e mais para a educação. A programação diária e com a linguagem afiada dos locutores, despertava a atenção de todos para abrir olhos sobre o descontentamento sobre a condição da população mais pobre. A utilização da rádio como meio de comunicação rendeu o prêmio das Nações Unidas à Rádio Favela, pelo desempenho em alertar contra as drogas, além do papel educacional.
O racismo é constantemente assunto no filme, em uma das cenas, Jorge que estudava em um bom colégio da cidade – conseguiu uma vaga graças ao trabalho da mãe do personagem que trabalha no colégio -, discute em meio a um debate em sala de aula com um colega, pois o mesmo defendia a Lei Áurea e onde diz que resolveu em definitivo a situação do negro no país, que foi na hora rebatido por Jorge, onde defende que não houve libertação concreta e questiona a atual situação dos descendentes no atual contexto.
Encorajado e revoltado com o que acara de acontecer, o protagonista começou a refletir sobre a sua luta contra o racismo. Pois não aguentava saber que a população realmente acreditava na “liberdade” dos negros, onde esta mesma afirmativa todos sabiam que é mascarada pela própria sociedade, em que a exclusão social era partilhada por toda a população negra. Esses foram um dos principais motivos pelo começo do projeto da rádio.
A trilha sonora do filme mostra como a rádio dava ênfase a cultura afro na América, e mostrando como ponto forte a força que tinha como um mecanismo de protesto. Em uma mistura, quem assiste ao filme, encontrará artistas nacionais do Rap como, Racionais Mc's, passando pelo samba, jazz, soul, o funk, músicas que verdadeiramente tomam conta de toda favela. As músicas também estabeleciam conexão entre os diferentes universos relatados no filme: política, polícia, escola, rácio e o crime.
O jeito como o filme trata a história, onde a realidade é mostrada de uma maneira mais branda, sem muito sensacionalismo, levanta a bandeira de muitos artistas que criticam o filme Cidade Deus, pois afirmam que apesar de muito elogiado pela crítica, interfere na identificação do negro, e recebeu muitas críticas de pessoas ligadas a própria comunidade, exemplo, o rapper MV Bill , que dizia haver uma estereotipagem, que não ajudava em nada, pelo contrário, aumentava ainda mais o preconceito contra os negros, pobres e moradores de comunidades carentes, referindo-se nas cenas de chacinas, assassinatos a sangre frio, crianças com armas de fogo, se tornando traficantes, entre outras cenas que mostram a realidade nas favelas.
Em contrapartida dessa visão que a Cidade de Deus apresenta, Misael Avelino dos Santos o criador da Rádio Favela, elogia a linguagem abordada, mesmo sabendo que existem cenas de violência, o foco principal é que o filme aponta com positivismo e luta contra o preconceito e aponta que há sim, a possibilidade de vitória e superação dentro das favelas.
